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Eleições 20264 min de leitura8 de outubro de 2026

Eleições 2026: o que mais preocupa os empresários brasileiros?

Empresários cobram respostas concretas para tributação, contas públicas, juros, crédito e ambiente de negócios

Por Vanusa Reis, Capital Upgrade

Empresários na plateia do Summit Crise é o Cacete

O empresário brasileiro não está preocupado apenas com quem vencerá a eleição 2026. Ele quer saber quanto custará financiar a operação, o que acontecerá com os impostos, como ficará sua margem e se haverá segurança para investir, contratar e crescer.

Em 2026, essa preocupação ganha outra dimensão: quem assumir o próximo governo terá de transformar promessas econômicas em regras previsíveis, contas sustentáveis e condições para que empresas continuem investindo.

A dívida pública já chegou às empresas

A Dívida Bruta do Governo Geral atingiu 82,9% do PIB em agosto de 2026 (o que corresponde a R$ 11,1 trilhões), segundo o Banco Central. Em setembro, a Selic foi reduzida para 13,75% ao ano, após permanecer em 14% durante agosto. Para os próximos anos, as projeções do Tesouro Nacional indicam que a dívida poderá alcançar 87,9% do PIB em 2029, antes de iniciar uma trajetória gradual de queda.

A Dívida Bruta do Governo Geral representa o total de obrigações financeiras acumuladas pelos governos federal (incluindo INSS), estaduais e municipais. Expressa em relação ao PIB, ela mostra o peso do endividamento público diante do tamanho da economia brasileira.

Para o empresário, o ponto é simples: quanto maior a pressão sobre as contas públicas, menor tende a ser o espaço para novas despesas sem que o governo precise fazer escolhas, rever gastos ou encontrar novas fontes de receita. E essas escolhas podem afetar o ambiente de negócios, as condições de financiamento e o espaço para investimentos.

Como os juros e o crédito já estão pressionando as empresas

A consulta da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em 15 de setembro de 2026, ouviu 179 empresas de 28 setores e revelou:

  • 57% projetam redução da margem líquida nos três meses seguintes;
  • 56% esperam maior necessidade de financiamento para contas a pagar;
  • 50% projetam maior necessidade de financiamento para estoques.
  • 32% preveem aumento do endividamento bancário;
  • 35% planejam elevar os preços;
  • 53% pretendem manter os valores de venda.

O dado revela que parte das empresas projetam absorver custos maiores sem repassá-los integralmente aos preços.

Para o empresário, a cadeia é direta:

juros → custo do crédito → margem → preço → competitividade → investimento

É nesse ponto que a política econômica deixa de ser um debate abstrato e passa a aparecer no balanço da empresa.

O que os empresários esperam do governo em 2027

Uma pesquisa do FGV IBRE, divulgada em 7 de outubro, com cerca de 4 mil empresas dos setores de indústria, serviços, comércio e construção, mostra quais são as principais prioridades dos empresários para o próximo governo:

  • 54,2% — Tributação
  • 27,1% — Contas públicas
  • 24,8% — Redução da burocracia
  • 24,7% — Infraestrutura e logística

O dado mais contundente é a liderança da tributação, apontada como principal prioridade em todos os setores pesquisados. O resultado ganha ainda mais relevância porque as empresas estão atravessando a transição para um novo sistema de tributação sobre o consumo, cuja conclusão está prevista para 2033.

Tributação elevada → Custo maior → Pressão sobre a margem → Aumento de preços → Menor espaço para investimento → Perda de competitividade

Mais do que uma discussão sobre impostos, os dados revelam uma preocupação com previsibilidade. Para quem planeja uma empresa no horizonte de anos, mudanças de regras, interpretações e obrigações podem significar mais complexidade e menos segurança para tomar decisões de longo prazo. No ambiente empresarial, previsibilidade não é apenas uma questão regulatória: é uma condição para decidir onde investir, quanto investir e quando avançar.

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